domingo, 27 de fevereiro de 2011

RAMAL 22


O sol já havia nascido quando o ônibus parou na rodoviária de Corrente no Piauí.

"Seu" Rionoldo,um velho amigo de meu pai me ajudou com as malas me dando uma carona ate a casa de minha família que ficava afastada da cidade.

Mesmo com o asfalto ainda subia uma poeira vermelha quando os carros passavam.

Depois de quatro anos longe eu voltava para visitar a minha cidade natal.

A casinha de meus pais não havia mudado nada!

Cerca de pau seco,terra vermelha,um bode e uma cabra andando por ali,a casinha de paredes caiadas e encardidas de pó vermelho,o telhado de cumeeira queimada,janelinha e porta de madeira pintadas de azul céu!

Eu voltava a minha infância!

Festa!

Abraços,sorrisos,lágrimas.

Minha mãe,minha irmã mais nova Josiene e minha irmã do meio,Marineide.

Ela era dois anos mais nova que eu.

Papai estava na roça e dos meus cinco irmãos homens,quatro estavam trabalhando em outras cidades e um havia morrido a dez anos,vítima de tuberculose.

Entramos em casa.

Chão de terra batida,bancos compridos de madeira,uma mesa,um fogão a lenha.

Nos dois cômodos seguintes,que seriam os quartos,redes dependuradas em tocos de madeira enfiados no chão substituiam camas.

Primeiro fiquei na cozinha respondendo as perguntas de mamãe,contando um pouco de minha vida em São Paulo.

Todos diziam que eu estava mudada,que estava mais bonita.

Diziam que eu parecia mulher de cidade grande.

Deixei o dia seguinte para visitar amigos e parentes mais proximos e reservei o terceiro dia para poder conversar com minha irmã Marineide.

Depois do almoço eu a ajudei a fazer biscoitos de polvilho azedo .

Pegamos cada uma um punhado de biscoitos,um copo de café e fomos para o quintal nos fundos da casa.

Sentamos junto a um pé de burití que havia no quintal e começamos a conversar.

Contei a respeito de muitas coisas que havia feito e vivido em São Paulo,ate que tomei coragem e disse:

-"Neidinha",eu tenho algo a li contar.

- Oxe?Pois conte "Nildinha".Não estamos cónversando?

- Olhe minha irmã,o qui tenho para lhi contar é algo muito sério!

- Diz réspeito a minha intimidade e eu gostaria que fica-se em ségredo entre nós duas.

- Aff Nildinha,conte logo então,não me deixe aflita assim!

Eu olhei ao redor para ver se mamãe não estava por perto.

-É que...eu estou vivendo um amor próibido...

-Nildinha do céu!Não mi diga que vócê esta amando um homem casado!É isso minha irmã??

- Não...é não Neidinha...eu vou contar tudo para vócê.

- "A quatro anos atráz quando cheguei á São Paulo,eu passei uns dias na casa de "Délia de Matheus"...

Eu estava a procura de emprego.

Foi quando ela me disse que uma amiga dela trabalhava em uma casa de família no Morumbi,um bairro de gente rica de lá.

A dona da casa,dona Fátima,queria uma menina como eu,recém chegada do norte para trabalhar.

Ela dizia que era melhor uma menina nova que não tinha vícios das empregadas mais velhas.

A amiga de Délia marcou a entrevista e eu fui.

Fui entrevistada por duas pessoas,dona Fátima,a patroa e dona Sonia,a governanta responsável pelo quadro de funcionários da casa.

- Meu deus!- interrompeu minha irmã- Quadro di funcionários?

- Mas quanta genti trabalhava nessa casa??

- Era uma mansão enorme,tinha muita gente trabalhando lá!

Depois da entrevista dona Fátima deu ok para a minha aprovação e me deixou com dona Sonia,que ia me orientar sobre o resto.

O trabalho caiu do céu,pois a vaga era para dormir no emprego e eu não tinha onde morar.

Naquela mansão enorme e cheia de funcionários moravam dona Fátima,Dr.Dario,marido dela, dois filhos,Rômolu e Breno que tinham uns vinte e poucos anos,a mãe do dr.Dario que ficava na cama e uma enfermeira que cuidava dela.

Eles tinham uma filha também,mas ela estava estudando fora do pais.

- Vócê se apaixonou por um dos filhos dela?

- Fique quieta diaba!Me deixe contar!

- Disculpi...

Trabalhavamos bastante ali,pois como disse,a casa era enorme.

Tinha dois andares.

Era tão grande que os cômodos eram interligados por interfones,sendo que cada um tinha o seu ramal.

Os quartos dos patrões e dos rapázes tinham os nomes escritos,os demais marcavam;"sala de estar,sala de visitas,sala de jantar,sala de tv,escritório,ateliê"e assim ia.

Eram vinte e dois ramais,sendo que os dois últimos eram dos quartos de hóspedes.

- Miséricórdia!Mas isso não era uma casa!Isso era um palácio!

- Fique quieta!

- Conti...

Após uns seis mêses chegou de viagem uma parente de dona Fátima,uma senhora chamada Gladis.

Ela iria passar algum tempo aqui no Brasil para resolver uns negócios.

Dona Gladis era uma mulher alta,linda,chique,educada.

- Tá Nildinha,mas me diga,que amor próibido é esse que vócê falou??

- Me deixe contar diaba sêca!!Não me corte!!

- Aaaiii...estou curiósa...

Certa manhã dona Sonia estava dividindo as tarefas.Era dia de limpeza na mansão.

Eu fiquei com o segundo andar,onde tinha os quartos dos rapázes,escritórios e os quartos de hóspedes.

Fui limpando ate chegar no quarto de dona Gladis.

Entrei,tirei o pó,troquei a cama e por último passava a cêra no assoalho,quando o escovão enroscou em alguma coisa pesada que estava debaixo da cama.

Eu puxei e junto com ele veio uma mala grande.

Eu pensei comigo:-"Mas que diabo de mulher mais desmazelada!Tanto armário imbutido aqui e ela guarda a mala debaixo da cama!"

Eu reparei que a mala estava meio aberta,e uma fivela de cinto saia para fora.

Eu empurrei a fivela com a mão mas ela voltava.

Então resolvi abrir a mala para arrumar o cinto dentro dela.

Foi ai que eu vi aquilo...

- Vio o que mulé??Mi conte,não me deixe nesse aperreio!!

- Calma diaba!

- Ali dentro tinha;chicote,tipo daquele que Mané da égua usa nas mula,sabe?

- Sei...

- Tinha dois chicote,tinha uma máscara,sabe Batmam?

- Sei...

- Parecida!

- A mulé usava uma fantasia?

- Não!Ouça!

- Tinha algema de polícia...

- Ela era polícia??

- Não diaba!Fique quieta!Me deixe contar!

Tinha mais uma infinidade de coisas ali que eu não conhecia e não sabia para o que serviam!

Eu tratei de fechar a mala e de empurra-la para de baixo da cama novamente.

Quando me levantei e me virei,dei de cara com dona Gladis!

- Ai dona Gladis!A senhora quase me mata de susto!

- Procurava alguma coisa na minha mala?

- Não senhora...eu só estava arrumando um cinto que estava para fora e...

- E aproveitou para abrir e olhar o que tinha dentro dela!

- Não senhora dona Gladis,olha,eu não péguei nada,pode me révistar,ta tudinho la dentro,pelo amor de deus...

- Posso fazer com que seja demitida por isso,sabia?

- Pelo amor de deus dona Gladis,eu não fiz nada,não peguei nada,só estava olhando,me perdoe...

De repente,ela começou a olhar para mim com um olhar estranho,um olhar diferente,um olhar que me fez sentir um calafrío na espinha!

- Sabe Neidinha quando o Carcará olha mirando o rato na caatinga?Aquele olho parado,vazio??

- Aff mulé,miséricordia...

- Pois é,foi assim que dona Gladis ficou me olhando!

Ela ficou ali parada,olhando fixo para mim!

Eu não sei por que,mas comecei a tremer dentro do uniforme!

-Como você se chama?- perguntou ela -

- Meu nome é Iranilde,dona Gladis.

- Muito bem Iranilde,espero que isso nunca mais se repita!

- Não senhora!Nunca mais!Eu juro!Me perdoe,por favor!

- Saia!

- Sim senhora,com licença,dona Gladis.

Peguei o escovão,o balde e o resto das coisas e sai de lá correndo.

- Aff irmã!Essa mulé tem parte com o cão!

- Quieta!Quer que eu continue contando ou não?

- Ah,conti,por favor!!

Depois daquilo dona Gladis começou a me pedir coisas.

Tudo que ela queria,pedia para mim.

Mas ela parecia querer me testar.

Ela pedia um suco,eu chegava com a bandeija junto dela,ela demorava,demorava,demoarava,ate pegar o copo e beber!

Me deixava ali,plantada feito um pé de pau!

- Qui maldadi...

Ate então estava tudo normal,ate que em uma certa semana ouviu-se falar em uma festa na casa do governador do estado!

Não se falou em outra coisa naquela casa durante a semana toda!

Festa do governador pra cá,festa do governador pra lá!

Dona Fátima não saia do telefone!

Ela ligava para todas as amigas e no meio da conversa perguntava como quem não queria nada:

- Você vai na festa do governador?Sim querida!Nós fomos convidados!

E no dia da tal festa?

Nossa!Eu nunca vi tanta correria junta!

Sabia que rico não vai em salão de beleza?Eles mandam vir tudo em casa!

Foi um tal de Van entrando e saindo!

Trouxeram cadeira de cabeleleiro,cadeira para fazer unha,cadeira para lavar cabelo,espelho,enfim,montaram um salão no ateliê de dona Fátima!

- Ai!Eu queria ser rica para ter um salão de béleza em casa...

- Cale-se!

- Dislculpi...

E as roupas então?Gente trazendo vestidos e mais vestidos para dona Fátima escolher!

Gente trazendo ternos e fraques para dr.Dario ver!

- Ai!Eu queria ser rica para trazerem um monti de roupas lindas para eu experimentar!

- Fique quieta diaba!

Era uma sexta feira,folga de quase todos os funcionários da casa!

No fim iria ficar apenas eu e Cleuzira,uma das empregadas mais antigas da casa.

Ela era minha amiga.

A noite antes de sair para a folga,dona Sonia me chamou para passar as últimas orientações do final de semana.

- Iranilde,todos os outros irão embora,menos você e Cleuzira.

- Sim,dona Sonia.

- Dona Fátima e dr Dario não tem hora para voltar.

- Sim,dona Sonia.

- Senhor Rômulo e senhor Breno também irão sair,mas verifique se eles irão querer algo antes.

- Sim,dona Sonia.

- Cleuzira pedio para sair mas ela ira voltar antes do amanhecer e dona Gladis também ira sair.

- Sim,dona Sonia.

- Depois de arrumar a cozinha,faça a sua refeição e pode se recolher.

- Sim,dona Sonia.

- Tenha um bom final de semana.

- Obrigada,dona Sonia.

Todos se foram.

Arrumei o pouco de bagunça que havia ficado na cozinha,conferi com os rapázes se iriam precisar de algo,os dois disseram que não.

Liguei no ramal 22 de dona Gladis,ela não atendeu,deveria estar no banho.

Fui para o quarto de empregados,tomei meu banho,vesti minha camisola e me deitei para assistir a novela.

Passados uns quarenta minutos o interfone tocou.

A luz que piscava era do ramal 22.

Eu me levantei e atendi:

- Iranilde,boa noite dona Glades,pois não?

- Quero que me traga um suco de laranja e torradas.- disse ela do outro lado -

- Sim senhora dona Glades,já vou providenciar.

Ela desligou.

Tornei tirar a camisola e vestir novamente o uniforme.

Preparei a bandeija com o pedido e subi ate o segundo andar.

Bati na porta e esperei.

- Entre!- disse ela la de dentro -

Eu abri a porta e entrei.

- Feche a porta e tranque!-disse ela -

Eu o fiz.Mas quando olhei para dona Gladis,tomei um susto.

Ela estava usando uma roupa estranha!

No começo eu pensei que ela tinha feito uma roupa com saco de lixo,pois parecia feita de um plástico preto e brilhoso que ficava bem coladinho no corpo dela!

- Aff!Mas uma mulé tão rica fazendo roupa com saco de lixo??

- Cale a boca diaba!!

E ela usava também uma bota que com salto fininho e bem alto que quase fazia ela ficar na ponta dos pés!

- Ai!Queria ser rica pra te uma bota...

- Cala a boca!!Quer que eu conte ou não?

- Disculpi...

Eu fiquei meio sem ação,olhando para a beleza de dona Gladis naquela roupa preta.

Ela estava linda,toda maquiada,perfumada.

Eu pensei comigo:"- Essa mulher vai sair pra rua vestida desse jeito?"

- Coloque a bandeija sobre a mesa de café!- disse ela -

Eu coloquei a bandeija sobre a mesa,me virei e perguntei:

- A senhora precisa de mais alguma coisa,dona Gladis?

- Sim!

- Em que posso serví-la,dona Gladis?

- Preciso de você!

Fiquei confusa.

- De mim?- perguntei -

- Sim!De você!

- Eu tenho umas roupas que pretendo doar,e pensei em dá-las para você.

- Para mim,dona Gladis?

Fiquei feliz por que rico costuma usar a roupa um vez só!

Aquele vestido que dona Fátima estava usando na festa mesmo,com certeza ela não usaria nunca mais!

- Queria ser rica para pode usar minhas roupas uma vez só...

- Cale a boca!

De repente,ela começou a me olhar com aquele olho de Carcará de novo!

Ela ficou ali parada,olhando para mim.

- Eu vou pegar para você.

Ela foi ate o closet e voltou com uma sacola de shopyng.

-É uma roupa igual a esta que estou usando,quero que você experimente.

Eu tirei da sacola uma roupa igual a dela.

Não era de plástico,era um tecido molinho,macio.

Junto com a roupa tinha um par de sandálias pretas,novinhas,com o salto bem alto também.

- Nossa dona Gladis,para mim??

- Sim!Vista,quero ver como fica em você.

- A senhora me da licença de usar o toalete?

- Quero que se troque aqui!

- A senhora me desculpe dona Gladis,mas eu não mudo de roupa nem na frente de minhas irmãs!

Ela jogou o olhar de Carcará em cima de mim novamente.

- Se eu poder...

Nada!Ela continuava em silêncio,me torrando com aquele olho!

- Se eu poder...

Eu não conseguia me mexer!

- Sabe quando a caranguejeira pica o passarinho e ele fica paralizado?Pois é!Foi assim que dona Gladis fez comigo!

- Ela me paralizou com um veneno de aranha e me segurou com o olhar de Carcará!

- Aff menina!!Essa mulé tem parte com o dêmo!

Eu não conseguia pensar em nada,não conseguia desviar os olhos dos olhos dela.

Larguei a sacola no chão e comecei a desabotoar o uniforme.

- Tire a calcinha e o sutiã também!- disse ela -

- Mas...tudo...dona Gladis?

- Com calcinha e sutiã o macacão não entra!

Eu não sei o que se passava comigo!Mas obedeci!

Tirei a calcinha e o sutiã,colocando-os sobre uma cadeira.

Eu peguei o macacão,mas não sabia como vestí-lo.

- Desculpe dona Gladis,mas eu não sei como se veste isso...

- Tem um ziper nas costas,abra-o ate o final!

Eu percebi que além do ziper das costas haviam mais dois pequenos zipers na região dos seios e um entre as pernas.

Dona Gladis foi ate a penteadeira e voltou trazendo um pote pequeno nas mãos.

- O macacão é novo!Um pouco de talco ira ajudar a vestí-lo.

Ela chegou bem perto de mim abrindo a tampa do pote.

- Deixe que eu passo em você!- disse ela -

Eu paralizei de novo!

Ela colocou um pouco de talco na palma da mão,esfregou as mãos e em seguida começou a passa-las em minhas pernas,nas minhas coxas.

O toque dela era delicado,macio!Era como se fosse uma carícia!

Ela passou talco nas minhas pernas,nas minhas ancas,nas minhas nádegas,na cintura,nos seios.

Meu coração disparou!Eu tentava esconder que ofegava.

- O que houve Iranilde?É alérgica a talco?Esse é frances...

- Não senhora,dona Gladis...

- Vista o macacão e calce as sandálias.

Eu vesti.Ela me ajudou com o ziper nas costas.

O macacão grudou no meu corpo,me apertando,destacando minhas formas.

Calcei as sandálias,ficaram lindas.

- Venha Iranilde,sente-se aqui!-disse dona Gladis mandando-me sentar na banqueta da penteadeira -

- Vamos prender esse seu cabelo lindo!

Ela penteou e prendeu o meu cabelo ,deixando o meu pescoço á mostra.

Ela me maquiou e depois se aproximou por traz de mim,quase encostando o rosto dela no meu.

- Veja como você é linda Iranilde...

Ela falava baixinho perto do meu ouvido!

Os olhos delas nos meus...os lábios dela quase tocando meu rosto!

Comecei a tremer,eu senti que fiquei molhada,eu não sabia o que estava sentindo!

Os lábios dela estavam bem perto do meu rosto!Eu podia sentir o ar quente que ela aspirava!

De repente ela se afastou!

Fiquei aliviada e frustrada!

Aliviada por que ela não me beijou o rosto,frustrada por que ela não beijou o meu rosto!!

- Minha irmã,eu não estou li conhecendo!!Vócê queria ser béijada por uma mulher??

-Me deixe contar!!

Ela foi ate o closet e voltou com mais uma sacola.

Tem mais duas peças para serem usadas com essa roupa,deixe que eu as vista em você!

ela pegou uma saia de couro preto bem cumprida,que ia ate meus tornozêlos.

E ela tinha um trançado de cordinhas na parte de traz.

Eu vesti a tal saia e dona Gladis começou a apertar aqueles trançados,a começar pelos meus tornozêlos.

Ela foi subindo,subindo,aquilo foi apertando minhas pernas bem juntinhas,ate que ela terminou na cintura!

Depois ela pegou outra peça muito parecida,mas era menor.

Ela me mandou colocar as mãos para tráz e juntas assim:

Iranilde exibe as mãos unidas para a irmã em formato de oração.

Ela vestio aquela peça nos meus braços e começou a apertar as cordinhas,e os meus braços ficaram bem juntinhos também!

Por último ela passou uma correia sobre os meus seios,e prendeu a peça para ela não descer.

Eu fiquei com as pernas e os braços presos,tentando me equilibrar sobre os saltos.

Dona Gladis pegou uma coisa parecendo uma tira de couro com um cinto,colocou sobre a minha boca e apertou.

Eu não conseguia falar,eu não conseguia gritar.

- Miséricordia irmã!A mulé lhe prendeu todinha?

- Sim!Mas ouça!

Dona Gladis pegou um dos chicotes que haviam na mala,veio ate mim e disse:

- Vá para cama!

Eu gemi ,tentando dizer que não conseguia sair do lugar!

- Vá para a cama!- repetio ela,dando uma chicotada em minhas pernas!

- A mulé lhi prendi,tapa sua boca e lhi bate??Ah,tenha dó Nildinha!!!

-Me deixe contar cadelinha magra!

Eu comecei a pular em direção a cama.

Quando cheguei perto,me virei e me sentei nela.

Dona Gladis se aproximou de mim e empurrou o meu corpo com pé.

Eu cai de costas na cama,mas o peso do meu corpo quase me fez cair para fora dela!

Dona Gladis conteve a minha queda!

Ela me arrumeou sobre a cama,retinha,bem no meio,e se deitou ao meu lado.

Ela beijava o meu rosto enquanto passava a mão pelo meu corpo!

Ela abrio um dos zipers dos seios,o colocou para fora,o lambeu,beijou e começou a chupá-lo,enquanto que com a outra mão ela dava tapas nas minhas coxas!

- Eu não acrédito no que vócê esta me contando irmã!

- Ouça!!

Ela chupou meus seios,acariciou meu corpo,depois me virou de bruços e deu várias chicotadas em minhas nádegas e minhas pernas!

Voltou a me virar de novo e se deitou novamente ao meu lado.

Eu gemia,respirava com dificuldade,olhava nos olhos dela!

Ela penetrou o olhar nos meus olhos,tirou a mordaça,se aproximou do meu rosto e me beijou!

- Iranilde minha irmã,estou pasma!

- Eu não vou te contar mais nada!Chega!!

- Não,por favor,não pari!

- Então,ouça!!

Foi o beijo mais romântico,mais maravilhoso que eu recebi ate hoje!

Ela me soltou,mandou vestir o uniforme e antes de me mandar embora,disse:

- Esse é o nosso segredo Iranilde,certo?

- Sim senhora,dona Glades.

Voltei para o quarto dos empregados,vesti a camisola.

Quando Cleuzira chegou as cinco da manhã eu ainda estava acordada...

Iranilde olha para a irmã.Ela esta torcendo a barra da saia e esfregando os joelhos.

- Marineide,o que esta fazendo??

- Sei não...to sentindo um negocio assim na barriga...

- Pare com isso bicha besta!!

- Continue contando Nildinha,pare não!

- Vou pegar mais biscoitos e café,depois fazer xixi.

- Ai!!Quero café não!Mije aqui do lado do galinheiro,é mais rápido!

Minutos depois Iranilde volta com mais biscoitos na mão e se senta novamente ao lado da irmã.

Na semana seguinte ao nosso "encontro",dona Gladis mudou completamente comigo!

Ela não me pedia mais nada,não me mandava fazer mais nada!

Sempre pegava outra empregada para serví-la!

Ela me ignorou totalmente!

Eu não sei por que,mas isso me deixou com muita raiva!

Um dia ela estava sentada á beira da piscina lendo uma revista.

Já que ela não me chamava,resolvi ir para o ataque!Eu fui ate ela!

Cheguei perto dela e perguntei:

- Com licença dona Gladis,a senhora esta precisando de alguma coisa?

Sem tirar os olhos da revista ela disse:

- Pareço alguém que precisa de alguma coisa?

Fiquei envergonhada e constrangida.

- Não senhora,dona Gladis.

- Então vá embora!- disse ela sem olhar para mim-

- Sim senhora dona Gladis,com licença.

Foram dias de martírio esperando o ramal 22 tocar e ela me chamar para algo!

Certo noite senhor Rômulo ligou perguntando por uma camiseta que queria usar.

Eu disse que iria ate a lavanderia para pegá-la.

Quando passei pela sala de leitura,dona Gladis estava lá,lendo uma revista.

Eu ia passar direto,mas ela me chamou:

- Iranilde.

- Pois não dona Gladis?

- Vai fazer alguma coisa agora?

- Vou levar uma camiseta para o senhor Rômulo,dona Gladis,a senhora precisa de algo?

- Sim!De você!- disse ela,me olhando com os olhos de Carcará-

- Vá atender Rômulo,ele é muito temperamental!

- Sim senhora dona Gladis,com licença.

Quando voltei ela não estava mais lá!

Pensei em ir no quarto dela,mas achei melhor não.

Foram mais duas noites de total despreso,ate que o interfone tocou com o ramal 22 chamando.

Eu me levantei correndo e atendi!

- Iranilde boa noite,pois não dona Gladis?

Mais uma vez ela pedio suco e torradas.

Antes de sair eu abaixei o som da tv a pedido de Cleuzira.

-"O remedio para tosse que tomei esta me dando um sono danado,vou dormir logo!"- disse ela-

Bati na porta e esperei.De dentro veio a ordem:

- Entre!

Eu entrei.

- Feche a porta e tranque!

Dessa vez dona Gladis usava um corselet preto,cinta liga e uma bota que vinha ate os joelhos,que mais uma vez quase a faziam ficar na ponta dos pés.

- Comprei peças iguais para você e quero que vista!

Obedeci!Tirei as peças da sacola e as vesti.

Fiquei de pé no meio do quarto,aguardando ordens de dona Gladis.

Ela veio andando lentamente,com passos firmes.

Ficou atráz de mim,segurou na minha cintura e começou a sussurrar no meu ouvido:

- Sentio minha falta?Uhm?Sentio?

Ela passava a mão em vinha cintura e falava em um ouvido e no outro:

- Sentio minha falta...sentio cadelinha?

Ela começou a passar a ponta da língua nas dobras da minha orelha!

- Sentio minha falta?

Ela enfia a língua na minha orelha.

- Sentio?

Beijo no rosto...

- Heim?Sentio?

- Sim...senhora...senti...

Ela morde o lóbulo da minha orelha,puxa devagar...

Acaricia meus seios,minhas coxas...

Sente-se na banqueta,penteie seu cabelo!

Obedeci.Me sentei na banqueta e comecei a pentear meus cabelos.

Dona Gladis se deita na cama.Eu podia vê-la através do espelho.

- Devagar Iranilde,devagar!Penteie devagar!

Obedeci.

Ela começou a se masturbar e a tocar o próprio seio.

- Rebole sobre a banqueta Iranilde e penteie devagar...

Eu o fiz!

- Fique de pé!- ordenou ela-

Ela vai ate o closet,volta com rolos de corda.

Ela amarra minhas pernas,meus tornozêlos,minhas mão ás costas,meus braços!

Tudo muito bem apertado!

Ela pega uma bola de borracha com uma liga e enfia na minha boca,passando a liga por de tráz de minha cabeça.

Ela surra minhas coxas com uma chibata!

Me faz pular ate a cama e nova surra!

Ela vai ate a mala,pega um pinto de borracha preta com um cinto e o coloca em si mesma para parecer um homem com ereção!

- Vócê esta me dizendo que ela cólocou um pinto di burracha na frente assim?

- Sim!

- E ficou como um homem de pau duro?

- Sim!

- Miséricordia minha irmã...isso é lócura!

- Quer que eu conte o resto?

- Sim!Não pare!

Ela passou alguma coisa na ponta "daquilo" e veio ate mim.

Me virou de bruços e me penetrou com força na vagina,socando e me dando tapas na bunda e nas pernas.

Depois ela tirou e enfiou de novo!

- Onde??Onde Iranilde??

- Onde tu acha bicha besta?Que lugar mais tem para enfiar um pinto numa mulher além da péréréca??

- Ta falando sério??

- E eu vou brincar com uma coisa dessas???

Eu hurrei de dor e ela ficou socando em mim!

Depois ela soltou minhas pernas,tirou a mordaça,me virou,subiu em cima de mim e fizemos amor!

Ela me beijava,me beijava com amor,com ardor!

E o que eu mais queria nesse mundo naquele momento,era poder abraçar dona Gladis,mas minhas mãos estavam amarradas!

Ela me soltou e eu voltei para o meu quarto...

-"Ô cêis duas!Vamo para de tererê que ja é tarde!Logo começa a vir morcego!Venham para dentro já!!

- Já vamos "mainha".- responde Marineide para a mãe -

- Nem percebi que já estava escuro - diz Iranilde -

Entramos.

O jantar foi a repetição do almoço.

Eu me deitei em uma rede.Minha irmã logo começou a roncar.

Cruzei os braços atráz da cabeça,fiquei olhando para o telhado de cumeeira.

As vezes sentia o cheiro de fumaça das brasas do fogão a lenha,as vezes o cheiro de querozene queimado da lamparina.

Adormeci.

No dia seguinte nos levantamos,tomamos café.

Minha irmã não tocou no assunto sobre o que haviamos conversado.

Dona Gladis havia me ensinado algo de muito bom que eu estava usando no meu dia a dia:disciplina!

Eu me contive e não puxei assunto com Marineide!

Se ela quisese ouvir o resto da historia eu contaria,senão,não...

Após o almoço ela me chamou:

- Vem comigo buscar água?

- Vamos.

- Temos que andar mais agora!O rio secou!

- Sem problemas.

- Ai da tempo de vócê me contar o resto...

Eu sorri.Marineide pegou uma lata vazia e eu um garrafão de plástico.

Minha irmã andava descalça,mas como faziam quatro anos que estava longe do calor do sertão nordestino,tratei de calçar um têniz e usar boné com óculos escuros.

- E então?Continue!

- Nos encontramos mais vêzes depois daquilo.

Ela sempre me amarrava de várias formas.Me deixava caida no chão,batia em mim,pingava vela derretida pelo meu corpo.

Mas depois sempre faziamos amor!

E eu sentia prazer!Prazer que homem nenhum nunca conseguiria me proporcionar!

E o piór é que eu descobri que estava amando dona Gladis!

- Tu ta brincando comigo minha irmã?

- To não!

- Tu ta amando uma mulé?De verdade?

- Sim!

- Miséricordia...

- Mas eu sofri muito!

- Como da outra vez ela me ignorou por completo durante uns dez dias!

Ate que um dia eu estava servindo o café da manhã para dona Fátima e dr.Dario.

Ele estava sentado,lendo um jornal em inglês,e dona Fátima começou a falar:

- Estou pensando em aproveitar para viajar com Gladis.

- Estou com saudades de Milão e Mirthes Alencar vai abrir uma exposição em Paris,eu gostaria de estar lá para prestigiá-la,o que acha?

- Bem querida,creio que você te-rá que ir com Gladis!

- As coisas estão estranhas no Oriente Médio e isso pode afetar os negocios!Eu quero estar aqui no caso de alguma eventualidade.

- Eu irei com ela então.

- Pensei que Gladis fosse ficar mais tempo aqui no Brasil.

- Não querido,ela já vai voltar para a Europa...

Quando ouvi aquilo comecei a tremer!

Dona Gladis iria embora!O que seria de mim??

Dr.Dario olhou para mim e ordenou:

- Café!

Eu me aproximei e comecei a servir a xícara dele,mas a tampa do bule de louça tremia e fazia barulho.

Dr.Dario olhou para mim,olhou para o bule e olhou para dona Fátima.

-Iranilde- disse dona Fátima- Você esta bem?

- Sim dona Fátima,estou.

- Va para a cozinha e mande outra empregada nos servir!- ordenou dr.Dario -

- Sim senhor,dr.Dario,com licença.

- Que absurdo!Essa é uma situação inaceitável!- disse ele para dona Fátima -

- Ela deve estar sentindo alguma coisa querido.

- Pois se esta se sentindo mal,que fique no quarto de empregados!- ele disse isso e voltou a ler -

Eu entrei na cozinha repassando a ordem de dr.Dario.

- Dr.Dario quer outra pessoa servindo o café!

- O que foi que aconteceu menina?- perguntou Cleuzira-Você tá branca como uma vela!

- Eu não estou me sentindo bem!

- Sente aqui,vou lhe trazer um cópo dágua!

Nisso entra dona Sonia,a governanta.

- Dona Fátima disse que você não esta se sentindo bem.

- Já vai passar dona Sonia.

- Deve ser a pressão dela que caiu dona Sonia,já,já melhora.

Disse Cleuzira trazendo o cópo dágua.

- Iranilde,você esta grávida?- perguntou dona Sonia -

- Não senhora,dona Sonia!

- Tem certeza?

- Sim senhora,dona Sonia!

- Bem,vou pedir a enfermeira para dar uma olhada em você.

- Não precisa dona Sonia,já estou melhor.

- ok!Então,só volte a circular pela casa depois que estiver se sentindo bem!

Dona Sonia disse isso e saiu.

Eu segurei o cópo dágua entre as mãos,tirei uma golada e comecei a chorar.

- Ô minha filha- disse Cleuzira se sentando ao meu aldo-O que esta acontecendo?

-Você anda estranha ,não come,não dorme direito!

- Me conte o que esta havendo com você!

- Você já se viu em uma situação em que esta amando alguém mas esse amor é proibido?

- Eu sabia!-disse Cleuzira-Bem que desconfiei!

Entrei em pânico!

- Desconfiou de que Cleuzira??

- Você ta gostando de algum homem casado,eu sabia!

- Olhe minha filha,saia dessa enquanto pode!

- E se ele disser que vai deixar da mulher para ficar com você,é mentira!!

Resolvi ficar quieta e continuar chorando baixinho.

Estavamos no nosso quarto deitadas assistindo a novela.

Eu estava encolhida na cama,pensamento longe,trizte.

- Vagabunda!- gritou Cleuzira-

- O que foi?- perguntei assustada-

- Essa biscate ta enganando o italiano de novo e o trouxa ainda diz que ama ela!

Ela comentava sobre a novela!

Eu voltei a me encolher na cama.

Nisso, o interfone toca!Era o ramal 22!

- Atenda lá "Ira".-disse Cleuzira -

- Atende você.-respondi -

Cleuzira se levantou e atendeu o interfone.

- Sim,sim dona Gladis,ela esta aqui sim,um minutinho só.

- Ira!-disse ela me estendendo o interfone -

Eu me levantei e atendi.

Ela pedio o mesmo de sempre,eu me vesti e fui levar.

Entrei no quarto,fechei a porta e tranquei.

Dona Gladis usava um corselet preto com uma calça de couro vermelha,mas estava descalça.

Eu coloquei a bandeija sobre a mesinha e fiquei aguardando.

Ela se aproximou de mim,segurou firme no meu rosto apertando minhas bochechas e perguntou:

-Tem alguma coisa para me dizer?

- Não,senhora.

- Tire a roupa!

Fiquei nua.

Dona Gladis trouxe um par de botas que chegavam ate as minhas coxas e eram altas de tal forma que eu fiquei na ponta dos pés!

Dona Gladis amarrou meus braços e minhas mãos,forte.

Amarrou uma corda ao redor de minha cintura,bem apertada.

Uma terceira corda ela prendeu á essa da cintura,a passou entre minhas pernas e a suspendeu com força,apertando minha vagina e meu ânus e amarrou na parte de tráz!

Eu mal conseguia ficar de pé com aquela bota!

Ela feria meu pé e meus dedos e agora aquela corda feria minha vagina e meu ânus!

-Tem alguma coisa para me dizer cadelinha?

- Não,senhora...

Dona Gladis me deu um empurrão com o pé,eu perdi o equilíbrio e cai de lado no chão,batendo a cabeça e machucando minha orelha.

Dona Gladis se aproximou,colocou o pé sobre a minha cabeça e começou a apertar.

- Tem alguma coisa para me dizer,cadelinha?

- Não,senhora...

Ela ri.

- Eu vou embora do Brasil,não tenho nada que me segure aqui!

Comecei a chorar.

Ela aperta minha cabeça de novo.

- Tem alguma coisa para me dizer,cadelinha?

Eu chorava muito!

-Não,senhora...

Dona Gladis se senta em uma poltrona e abre o ziper que tem entre as pernas.

- Quero que me chupe!Venha!

Com muito esforço e dor eu consegui ficar de joelhos e fui ate dona Gladis.

Eu suguei a vagina dela,suguei com amor,com paixão,com dedicação,ate que ela gozou.

Ela agarrou o meu cabelo repetiu a pergunta:

- Tem algo para me dizer,cadela?

- Não,senhora...

Ela me esbofeteou e eu cai novamente,chorando mais ainda.

- Eu vou embora daqui!Nada tenho aqui que me prenda!

- Não me deixe senhora!Eu te suplico,não me deixe,piedade!!

- Por que chora cadela?o castigo a machuca tanto assim?

- A dor física não me doi tanto quanto a dor que tenho no peito senhora!

- Tem algo para me dizer cadela?

Eu não ia aguentar aquilo por mais tempo!

Dane-se as convenções,dane-se a moral,dane-se a igreja!

Entre choro e soluços eu disse:

- Eu te amo senhora!

- Eu não ouvi!Repita!

- Eu te amo,senhora!!

Ela agarrou os meus cabelos me fazendo ficar de joelhos.

-Repita!

-Eu te amo ,senhora!!

- Eu não ouvi!Repita!!

-Eu te amo,eu te amo,eu te amo!!!!

Comecei a gritar a plênos pulmões!

Dona Gladis tapou minha boca com a mão!

Ela se ajoelhou a minha frente,tirou a mão da minha boca e me beijou ardentemente!

- Eu também te amo!-disse ela -

Ela me soltou,mandou que fica-se em cima de um pequeno tapete.

Acendeu velas vermelhas e incensos.

Ela colocou o chicote e a chibata á minha frente no chão,se ajoelhou diante de mim e perguntou:

- Você realmente me ama?

- Sim minha senhora!Mas que tudo nessa vida!

-Então,leia isso em voz alta!

Ela me entregou um pergaminho com letras manuscritas em vermelho,onde eu lia que a partir daquele momento eu não tinha mais vida,eu nã era mais nada.

Eu dedicava ali o meu amor,a minha dedicação e a minha lealdade a dona Gladis!

A partir dali eu pertenceria a ela!

Quando terminei de ler,ela pegou uma pequena adaga e cortou o meu pulso esquerdo e com o meu sangue ela molhou a ponta de uma pena que me entregou.

-Assine!

Eu assinei o meu juramento com sangue.

Depois disso,fomos para a cama e fizemos amor,então,pude realizar o meu sonho!

Eu abracei e beijei dona Gladis,e eu a fiz sentir todo o meu amor,todo o meu carinho!

Estavamos abraçadas e eu perguntei:

- A minha senhora ira embora mesmo?

- Sim!

- E o que sera de mim,minha senhora?

- Agora você me pertence!Apenas obedeça!

Fiquei dois dias sem ver dona Gladis.

Em uma manhã eu estava na copa,quando dona Sonia chegou.

-Iranilde,venha comigo,dona Fátima quer falar com você!

- Você fez alguma coisa?-Perguntou Cleuzira baixinho-

- Eu não!

Chegamos a sala de estar,dona Fátima começou a falar:

-Iranilde,a partir de hoje você não faz mais parte do quadro de funcionários dessa casa,eu estou demitindo você!

-Mas...foi alguma coisa que eu fiz dona Fátima?

- Nâo minha querida!Você servio Gladis durante o tempo em que ela esteve hospedada aqui,e ela gostou dos seus serviços,por isso,ela me pedio que a libera-se para que você possa trabalhar como secretaria pessoal dela.

Lágrimas vieram aos meus olhos.

- Eu?Trabalhar com dona Gladis?

- Sim!E você tera que tirar o seu passaporte,pois tera que viajar com ela para a Europa na semana que vem!

Voltavamos pela estrada de terra vermelha.

Minha irmã trazia a lata dágua na cabeça e eu abraçava o garrafão plástico.

- Minina do céu!Eu só num digo que é um conto de fadas,por que são duas princesas!

- E é isso minha irmã,desde então eu vivo com minha "dona".

- Já conheci metade do mundo,falo outras línguas e ela me ensina a ser tudo o que sou.

- E você ama mesmo essa mulher minha irmã?Ama de amor mesmo?

- Amo!Eu amo a minha dona mais que tudo nessa vida!

Estavamos em casa,eu ajudava minha irmã a descascar mandiocas,quando ouvimos o barulho do motor de um carro.

Era um carro importado,com placa de alugado,que vinha pela estrada levantando poeira vermelha.

Ele diminuiu a velocidade e parou em frente de casa.

A porta do motorista se abrio,e para minha surpresa,dona Gladis saltou.

Ela usava jeans e botas.

-Dona Gladis!- exclamei emocionada-

Eu fui ate ela.

Ela me comprimentou com um beijinho,dizendo baixinho entre um sorriso nos lábios:

- Contenha-se,estamos na frente da sua família...

- O que a minha senhora faz aqui?

- Bem,eu tive que vir a Terezina resolver uns negocios,e aproveitei para brincar de encontrar você!

Ela conheceu minha mãe e minhas irmãs.

Foi muito simpática e antes de ir embora me deixou mais dinheiro e o endereço do hotel onde estaria em Terezina.

- Nos encontramos lá e de lá iremos para o Canadá!

Ela entrou no carro e se foi.

Marineide ficou estática,de boca aberta,olhando o carro se afastar.

- Mas essa mulé é muito bonita mesmo!-disse ela-

-É,é bonita sim,mas é a "minha"dona!Tira o "zóio",diaba!

Retruquei,dando um beliscão no braço de minha irmã...




Nota:

- Terezina - Capital do Piauí

- Carcará - Ave de rapina típica do sertão nordestino.

- Burití - Fruta típica do Piauí.










2 comentários:

_lua_ disse...

Adorável conto.
Estou seguindo, posso?

Saudações.
lua

ivanildo black disse...

Impresionante! Estou seguindo cada trechos.